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19 de abril de 2021

O Perigo da Maquiagem Falsa



 Esse tema me veio de ideia depois de assistir o episódio sobre cosméticos do documentário "Desserviço ao Consumidor" da Netflix. Depois acabei vendo um vídeo da belíssima Lorelay Fox falando sobre isso, apareceu nos meus recomendados do YouTube e decidi assistir, o que ficou depois dos dois vídeos foi a reflexão.

 Como resume o documentário em sua sinopse: "Influencers e estratégias de marketing criam uma sensação de urgência, levando a um mercado de produtos falsificados contaminados com bactérias, arsênico ou coisa pior.".

 A indústria da beleza cresceu muito nos últimos anos, junto com as mídias sociais, isso é inegável! Mas até que ponto isso é bom?

Desserviço ao Consumidor e o Mercado Falsificado

 O documentário mostra logo no início uma grande quantidade de produtos falsos aprrendidos e, não temos dúvida, a maior parte é chinesa. Os produtos são feitos em laboratórios clandestinos, imundos, podendo ter agentes cancerígenos e até unia de cavalo e fezes de rato. Como diz no documentário, não é possível colocar culpa em alguém, um único fator, quando tantos colaboram pra sensação imediata e desesperadora de ter todas as novidades do mundo dos cosméticos, várias coisas criaram esse espaço para o mercado falso. Aqui no Brasil, desde quando começaram os DVDs piratas de filmes, shows e séries, ouso dizer que o maior problema que nos faz consumir conteúdo ilegal/pirateado, é o preço; o preço das coisas chega muito caro pra nós devido a inúmeros impostos que nem sabemos o que são e pagamos em tudo e a desvalorização do real perante ao dólar, o que sempre faz com que paguemos muito caro no câmbio entre as moedas.

 Daí também temos a condição que a indústria cosmética sempre foi dominada por grandes nomes, com muita grana e muita influência. E veio a revolução no mercado que começou com a polêmica de certos ingredientes nocivos, como parabenos, e fez com que marcas se reinventassem, em pouco tempo dando clareza aos consumidores de saber o que era usado nos produtos, o que era perigoso e o que é cruelty free ou não; temos que agradecer a leis de regulamentação nacionais e internacionais que passaram a obrigar as marcas a colocarem a composição dos produtos de forma legível nos rótulos e embalagens. Isso foi o que incentivou a competição saudável entre os conglomerados da beleza, segundo o documentário. No meio da desconfiança das grandes marcas com ingredientes e transparência das fórmulas foi que surgiu a oportunidade para outros, as chamadas marcas independentes, a ColourPop é o exemplo usado.

 O documentário coloca que os clientes e suas redes sociais são os especialistas para dar as informações que as empresas de cosméticos querem dos seus produtos, o feedback é o que mais ajuda! E toda essa comunicação tem sido tão efetiva e imediata que o jeito de se produzir e promover produtos de beleza com a propaganda de forma não tradicional onde os influenciadores são a vanguarda da indústria.

"A melhor coisa que surgiu com a cultura dos influenciadores é a inclusão, maquiagem não é pra mulheres, é pra expressar, pra criatividade"

 Apesar de o documentário bater nessa tecla, eu devo discordar. O mercado da maquiagem e a cultura dos influenciadores ainda não é algo inclusivo. O que mais vemos são influenciadores brancos. O que mais vemos nas marcas são bases/corretivos/BB Creams pra tons claros de pele. Por mais que já existam marcas tradicionais, marcas independentes, marcas novas e marcas de influenciadores que coloquem tons escuros em sua cartela de cores, sabemos que nem sempre é o suficiente, nem sempre dá certo no tom de pele mais escuro, nem sempre chega a servir para a pele retinta. E isso é uma luta que não pode parar, as marcas devem sim perceber que ou se tornam mais inclusivas pra atender a todos os tons de pele ou vão sofrer quedas nas vendas e boicotes, como houve com a Ruby Rose e a #tempratodas.

 As marcas veem muito o valor dos influenciadores, usando um pode aumentar vendas, criar relacionamento com clientes e fãs, para ter um diálogo, fora que é lurativo para influenciadores também, muitos aproveitam o sucesso e lançaram suas próprias marcas como a Boca Rosa, Mari Maria e Bruna Tavares. A questão do problema é que esse trabalho conjunto tornou produtos de beleza algo como extremamente necessários, como bem diz uma entrevistada: "você vê aquilo no feed e pensa 'é isso que eu quero, é isso que eu tenho que usar'." e "se você compra algo escrito 'kit de batons da Kylie Jenner' é um status, diz algo sobre você" e "você está usando o que todo mundo usa". E esse negócio de comprar maquiagem de fulano e ciclano por status... Mostra por si só o problema criado pela urgência em consumir aqueles produtos. 

"Edições Limitadas"


 Outro problema, talvez o maior, é a cultura da escassez inventada pelas empresas, onde produzem menos que a demanda pra aumentar propositalmente o hype e a competição dos clientes num mercado super inflado! É essa cultura de esgotamento e o medo do consumidor de não ter o produto que leva direto à compra das falsificações. A exemplo temos também a ColourPop, que se tornou quase a rainha de "linhas limitadas" e "coleção esgotada" lançando produtos em collabs com marcas de conteúdo da cultura pop com estoques baixíssimos que já ficavam Sold Out (esgotado) horas após o lançamento e dificilmente tinham reestoque. Basta ver o nível de oferta minúscula e demanda enorme que foi com a coleção que lançaram em parceria com a marca Sailor Moon, que com muita dificuldade, pesquisa, preços altos e magia de mahou shoujo eu consegui comprar ela inteira e ainda to na fase da dó de usar porque é impecável e perfeita!

Problemas com os Produtos Falsificados

 O exemplo da garota com lábios colados ao comprar batons falsos é só um entre vários que podem acontecer como: irritação nos olhos e na pele, aumento ou surgimento da acne, inflamações graves na pele, alergias gravíssimas, envenenamento por chumbo, dermatite de contato, conjuntivite e terçol entre tantos outros problemas que podem surgir de usar esse tipo de produto, que tem pouco ou nenhum cuidado ao ser feito em laboratórios clandestinos e imundos. 

 Os produtos falsos estão se tornando cada vez mais parecidos com os originais e está se tornando um grande problema identifica-los. Eu mesma tive um problema com um anúncio no Mercado Livre quando estava procurando por uma paleta de sombras da Too Faced pra comprar. No anúncio a pessoa que estava vendendo jurava que era um produto original, mas que tinha perdido a caixa e a nota fiscal. Daí eu fui pesquisar como era a embalagem do produto e depois de comparar muito e muito com vídeos de review do produto original e fotos de consumidores (não as fotos promocionais) daquele produto, eu consegui concluir que era uma paleta falsificada, mandei como "pergunta" no produto que era falsificado enquanto o anunciante jurava ser original e a pessoa veio me encher de xingamentos depois. Triste, porém verdadeiro. Não importa o quanto se pareçam externamente, o que importa é o que tem dentro. Se eu não tivesse feito essa pesquisa por ter achado a embalagem estranha e percebido que era um produto falsificado e comprado aquela paleta, eu poderia ter tido problemas de pele por conta da composição das sombras que não teria a garantia de ser segura.

 Se você vai atrás de um produto muito popular e famoso, vai encontrar versões falsas dele; aqui no Brasil vamos desde pólos de compras como a 25 de Março até sites e lojas online como a Lojas Americanas (nas vendas de terceiros), Mercado Livre, AliExpress, eBay e Wish.

 A coisa maior a se fazer é ajudar e informar para que as pessoas entendam que consumir esse tipo de produto falso pode afetar muito a saúde delas! Um exemplo infame: não é como piratear seus animes da internet ou jogos de plataformas antigas que "não fazem mal a ninguém", esses produtos são sujos, venenosos e podem gerar câncer em quem usa, nos piores casos.

Locais de Compra


 Hoje em dia o principal ponto de venda de maquiagem falsa é na internet, muito nos chamados "market place", como Amazon, Lojas Americanas, Mercado Livre, eBay, Wish, AliExpress, etc., onde perfis falsos conseguem burlar o sistema de avaliação e fazer reviews mentirosos. Outro ponto muito importante é nem sempre acreditar em 100% das avaliações positivas do que está olhando pra comprar: elas podem ser falsas e o vendedor pode muito bem publicar apenas avaliações positivas e ignorar as negativas, como uma Sephora gringa faz (agora não lembro qual é).

 Não é só na internet, grandes centros de compras como a 25 de Março, podem ter produtos falsos também, faz muito tempo que não vejo cosméticos falsos por lá, não só por comprar apenas em lojas de confiança, mas também porque na internet o mercado pra isso é maior e menos fiscalizado. Ao menos quando era antes da pandemia e das restrições de comércio, eu ia bastante lá e não via mais tanto produto falso. O importante a dizer, o principal até, é que quem tem o poder de acabar com esse mercado de falsificação é o consumidor.

Produto Falso x Produto de Marca Baratinha

 Também precisamos falar da diferença entre produto barato e seguro e o produto barato e falsificado! Os produtos falsos não passam por testes de seguranla ou pela Anvisa, diferente das marcas baratas. Por mais que uma marca de cosméticos seja baratinha, como a DaPop ou a Belle Angel ou a Dalla Makeup, são marcas que existem registradas com CNPJ e que são obrigadas por leis nacionais a testarem seus produtos e serem aprovadas pela Anvisa para serem comercializados. Produtos mais baratos podem não ser muito bons, ter qualidade menor, mas se foram aprovados pra vender pelo órgão regulamentador nacional, é certo que podem não fazer mal pra nossa saúde, pra pele; e se acontecer, somos apoiados por uma garantia e leis de proteção ao consumidor! É muito mais fácil você entrar em contato com uma marca nacional em casos assim que ir atrás de uma marca gringa e acabar descobrindo que o produto que comprou é falso e ficar sem apoio nenhum porque a marca não é obrigada a te socorrer nesses casos.

 Sou uma defensora assídua de marcas nacionais e de marcas mais baratas! Marcas internacionais oferecem uma qualidade X, uma exclusividade X, isso e aquilo, mas existe muito mais produto falsificado e o risco de pegar um desses é enorme! Quantas pessoas já não foram enganadas ao comprar num market place online e adquiriram algo falsificado e tiveram problemas depois? Fora que as marcas nacionais estão muito mais dentro do cenário estético do Brasil que as gringas! A evolução do mercado da beleza, da conscientização das marcas e as ofertas de hoje em dia são muito maiores que em 2006~2009 quando muita gente gastava dinheiro no pó Photo Finish da MAC e só tinha basicamente isso pra consumir com uma qualidade melhor. A gama de produtos hoje é muito maior, é enorme, e existe muita qualidade por trás de vários deles!

 Um exemplo é a Ruby Rose (sim, eu adoro a dona Ruby!), por mais que não seja nacional, toda a linha de bases, corretivos, pós, sombras, skincare... Tudo é muito bem adaptado para a pele dos brasileiros e segue as linhas de tipos de maquiagem que gostamos de fazer aqui, o clima que temos aqui, diferente da Too Faced, por exemplo, que é dos EUA ou da coreana Etude House. E seguindo a Ruby Rose temos também a Vizzela, Latika, My Life, Cat Make, Makery, Lacre21, quem disse, berenice?, Avon, Bruna Tavares e Vult que não são tão baratas assim, mas oferecem um produto de qualidade a preço justo e que você vai ter amparo por leis nacionais se tiver algum problema!


 Ufa! Acho que já discutimos bastante, não é? Esse é um tema delicado e que precisa sim ser muito, muito e muito discutido! Cada vez mais e também ser combatido. O mercado dos produtos falsos só existe porque existem consumidores pra ele. É difícil resistir ao preço mais barato, todos sabemos disso, mas para certas coisas, como os cosméticos que podem fazer muito mal pra nossa saúde, é preciso combater muito mais. Que fique a reflexão pra você assim como ficou pra mim depois de ver esse documentário.


Até a próxima, sweeties!
♡⌒ヽ(*'、^*)


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